: Escrevo não porque sei, mas por gosto e impulso... E assim escrevo errado mesmo...

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terça-feira, 11 de março de 2014

Profissionais de saúde humana: humanos?

Esses dias, por necessidade, tive a oportunidade de conviver com a situação da saúde “humana” no Brasil e agora depois de tudo senti o impulso de refletir e dissertar para compartilhar o que segue:

Eu também SOU profissional de saúde pública; atuo hoje apenas na área burocrática (Informação em Saúde), mas já trabalhei no atendimento, público e privado, e sei um pouco do que é esse tão delicado serviço; sim o vejo não como trabalho e sim como “serviço humano à humanidade”. Escrevo como profissional-usuária.

No título pontuo meu foco: a humanização desses profissionais sejam públicos e/ou privados, uma vez que passei pelos 02 (dois) serviços;

Quando comecei a trabalhar para a Secretaria Municipal de Saúde de Pé de Serra, ainda no processo de municipalização da saúde (descentralização de verbas, serviços e sistemas de informação), fazia parte desse pacote alguns cursos e dentre eles um que trazia a temática dos Recursos Humanos da Saúde: como treinar o pessoal para trabalhar corretamente nas unidades de saúde: o ensinamento era que todos os funcionários, da limpeza, vigilância, apoio, técnicos, não médicos e médicos deveriam ser envolvidos na dinâmica e funcionamento da unidade principalmente no “atendimento aos pacientes e acompanhantes”;

Hoje o SUS usa os termos “acolhimento” e “humanização” no atendimento; 

Assim entendo que os que idealizam a saúde pública no Brasil a concebem como um serviço a ser realizado humanamente; mas essa meta é atingida com pouca eficácia de maneira tão criticada e assim sabida por muitos.

Como todo serviço público brasileiro, a saúde perpassa pelas três esferas administrativas e como sabemos pelas “políticas do privilégio e da punição” que pouco ou nada se importa com a qualidade do serviço a ser feito e/ou prestado e assim ignora a aptidão e a aspiração dos ‘funcionários’ que são contratados para ‘trabalhar’...

Como que seguindo ou não a política de escolhas de funcionários, ás vezes o tratamento/atendimento de conhecidos é diferenciado, o que é considerado ‘sorte”, uma vez que a demanda é ainda muito maior que a oferta e a qualidade das condições de trabalho presente nos estabelecimentos levam a uma seleção no serviço: não é possível atender a todos de uma maneira igualitária e/ ou equitativa;

No serviço privado, também há precariedade uma vez que oferece serviços de pouco acesso no setor público e que também não atende a necessidade da população; existe profissionais, que por falta de opção ou até mesmo por preferir ($$) centraliza muitos dos serviços oferecidos o que causa atraso no atendimento por acúmulo de demanda para apenas um profissional e assim o serviço fica desumano;

Mas em ambos os setores e em todos os atendimentos a “humanização” e o “acolhimento” devem ser a prioridade máxima: quem procura esses serviços está doente, fragilizado (mesmo os que estão doentes psicossomáticos); sei também que muitas vezes, como uma autodefesa aprende-se uma “insensibilidade” para suportar a convivência com tanto sofrimento e junto com isso vem uma “frieza” que incomoda os que precisam e até os que presenciam tais atendimentos; 


Contudo, ainda bem nada é só negatividade e existem também em meio a bons ou ruins ambientes de trabalho, os profissionais de saúde humana que agem como humanos; aqueles que carinhosamente conseguem até dizer um não como se fosse um sim e fazer o outro (cliente) se sentir tão humanamente digno quanto aquele que lhe presta atendimento;

Claramente isso não é uma crítica, caso fosse seria uma autocrítica; mas assim pensei e escrevi apenas para dividir e quem sabe proporcionar também uma reflexão;

A cada um, capaz, livre e independente, compete viver como bem lhe convier.

Abraços!

Lembrei ao escrever esse texto de Billa, Nei, Gilvana, Luciana e Natália por nossas experiências e conversas sobre o tema;
Dedico-o ao meu sobrinho estudante de medicina, Neto; minha sobrinha Técnica de Enfermagem Cleice; minha prima Fisioterapeuta Daiane; e á todos os meus colegas (atuais e passados) da Secretaria Municipal de Saúde de Pé de Serra;

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