: Escrevo não porque sei, mas por gosto e impulso... E assim escrevo errado mesmo...

(E o conteúdo deste blog que não consta fonte, é de minha autoria...)

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Toda vida pulsante é presença! (Pós Pixite)

Essa semana supreendentemente estou encerrando um ciclo.

Pixite, meu gato, aos mais de 12 anos humanos, parou de respirar e virou uma estrelinha.
Foram dias definhando e mais de 24h de agonia final. Mesmo eu conversando com ele, liberando-o e garantindo que ficaria tudo bem após a partida dele, ele insistia em viver. Por fim, umas 15h do dia 28.07.2026 ele deixou seu pulmão parar, uma vez que era o único órgão ainda ativo...
A natureza sábia deu a ele um entendimento do que o fim de sua vidinha causaria em mim, que com pouca consciência eu apenas dizia que ele era a última lembrança viva dos meus pais (in memoriam) ...
Depois que segundo os ensinamentos de meu pai, enterrei o corpinho magro e endurecido dele, comecei me desfazer de tudo o que fez parte da rotina dele... Pratinhos, paninhos, brinquedos, restos de ração... Aliviada pelo fim do nosso sofrimento...

Fui e voltei da Igreja naquela noite e pela primeira vez em muito tempo dormi com a porta da cozinha completamente fechada tirando o acesso à grade com a portinhola que ele transitava livremente entre dentro e fora de casa, bem como sem ouvir o miado sofrido dele... e quem miava era ele! Desde novinho praticamente gritava! Por comida, para entrar e sair se uma porta estivesse fechada, por água fresca seja na torneira do tanque de lavar roupa ou para lavar e trocar a água do vaso perto do filtro, no banho, quando chegava de um passeio noturno fosse a hora que fosse, pra receber atenção e carinho... Era o ‘Mião’ de mãe... E na primeira noite, eu adormeci em silêncio sentindo ainda um alívio...

Mas como disse Ketlin, “o grito que incomodava, também ecoa no silêncio...”, e ao sair do quarto na manhã do dia 29 sem a presença de meu animalzinho na sala, a emoção veio forte: lembrei do que senti no dia seguinte ao sepultar meu pai, e que quem me consolou foi Pixite! A ficha caiu: Pai se foi em 2016, ficaram Mãe (+2018), Preta, a mãe de Pi, (+2024) e Pi,... Então senti e entendi o peso que prendia Pixite: ele foi a última vida pulsante que coabitou na casa nos últimos 15 anos desde que adotei Preta, e agora ele me deixaria sozinha... E sim, isso é forte: sentir-me única nascida restante numa casa em que já abrigou tanta vida humana e animal.

Sinto falta dele me receber ao chegar em casa, seja calmo sobre a mesa da sala, gritando próximo à porta ou sobre o braço do sofá; ainda penso em dar a comidinha religiosamente nos mesmo horários; procuro seu corpinho transitando entre a cozinha e a sala nos horários das minhas refeições; ainda sinto incômodo ao despertar sem a presença dele vindo ao meu encontro acarinhar minhas pernas e ser minha companhia até eu sair para o trabalho...
No sábado após sua despedida, lavei roupas, inclusive as dele (paninhos que eu forrava as superfícies preferidas dele) sem a sua companhia, deitando sobre os panos, subindo no tanque para disputar a água da torneira, bebendo água do balde cheio...
Acabou... Como na história do Pequeno Príncipe, de Saint Exupéry...

Eu desejava publicar sobre seu fim nas redes, uma vez que muito publiquei fotos suas, de peripécias, e como fiz com Preta..., mas precisei entender meu sentimento, organizar as ideias, para só então me expressar com clareza.

Qualquer vida pulsante é presença!
Pi além de companhia consciente, trazia com ele, pra mim, quase de fato 7 vidas, humanas que conviveram conosco...

Então, ciclo sendo encerrado...

Amei e fui muito amada

Seguem alguns registros... E olha que demorei tempo a escolher...

Com os irmãos no bujão de gás

Depois que ficou sozinho, tomando conta da minha cama

Achou o saco de meu patins vazio e se ajeitou

Sendo obstáculo vivo pra eu patinar

Largado sobre minha perna, de cima

Largado sobre minha perna, de baixo

Sobre o encosto do sofá que ele pedia para afastar 
da parede o suficiente para ele ficar assim

Ocupando o sofá

Bebendo água na torneira do tanque de lavar roupa

Esperando água e segurando o prato

Dentro do balde

Sobre a mesinha de cabeceira


Em, 03.08.2026



5 comentários:

  1. Ele sempre estará pertinho de você como ficou durante esses 12 anos! Te amo

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  2. Tive esse sentimento quando numa quinta-feira da paixão deixou a minha Valentina em casa retornando na sexta já encontrei morta

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  3. Muitos bichinhos são como irmãos para nós. Eu não tenho gatos , mas tenho um cachorro, e sei que sentirei o mesmo sentimento quando ele partir

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  4. Bellus
    História linda amiga!... Amor e cumplicidade ❤️❤️.

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Agradecida!