: Escrevo não porque sei, mas por gosto e impulso... E assim escrevo errado mesmo...

(E o conteúdo deste blog que não consta fonte, é de minha autoria...)

sábado, 6 de junho de 2015

São João passava por aqui... (Minhas memórias juninas)

A primeira memória que me vem é a da fogueira e dos fogos!
Pois sempre vi meu pai fazer fogueira aqui na frente de casa! Comprava fogos para ele (foguetes que ele mesmo colocava as flechinhas) e para nós filhos: estalos de salão (pra mim e todo mundo tirava uma lasca), chuvinha, cobrinha... e bombinhas... Essas últimas não tinham tanto que chegasse! Ninguém queria soltar uma só por vez!
A fogueira até hoje tem que ficar 24 horas ou mais acesa: acendemos na noite do dia 23.06 e só é apagada com água na noite do dia 24.06, como um ritual religioso. Durante esse período soltávamos fogos: os coloridos apenas nas noites e as bombinhas haja brasa, hora e disposição para soltar. Quando éramos “iniciados” a supervisão de pai era infalível! A orientação e condição era que tudo que soltássemos fossem acesos na nossa fogueira e jogados na frente da nossa casa tendo precaução para não causar acidentes. 
Com Ciane em seu 1º São João
A fogueira é feita com um tronco que dure 24 horas queimando, e assim quando não se está por perto soltando fogos, só o tronco queima em brasa... E eu, quando criança, acordava no dia 24 e saía à procura de gravetos e até papel para acender o fogo e ter um tição com brasa para tirar da fogueira e colocar em um lugar que pudesse soltar bombinhas...
Só uma vez até hoje não teve fogueira: quando meu sobrinho Valeriano Neto nasceu: mãe foi ajudar Da Paz com seu primeiro filho, Marta viajou com Tony Magno para cantar, e só ficando eu e Pai em casa, ele disse que não teria graça...
No mais, até então, seja com filhos, sobrinhos, amigos, netos e bisneto, S. Nininho sempre faz fogueira e se solta fogos da noite do dia 23 para a noite do dia 24.06! E eu sempre acompanho a galera mirim e a adulta! Solto até rojão! Detalhe: não me recordo de acidentes relevantes!


Outro fator que lembro é comidas típicas!
Cortar aipim pra fazer bolo, que às vezes iam uns pedacinhos de dedo junto... Descascar milho para, fazer canjica e pamonha e cozido, lavar amendoim para cozinhar, fazer licor de diversos sabores e maneiras de preparo... Tudo isso fazia da cozinha um lugar de força tarefa, barulho e algazarra!
E depois comer, comer e às vezes ter dor de barriga!
Nessa parte de comidas e bebidas típicas, havia um costume local de se visitar as residências para saborear o cardápio com a saudação “São João passou por aqui?”... E São João tinha que ter passado deixando a fartura gastronômica! Ainda fazemos as comidas para nos deliciar-nos...

Passemos ao item festa forró!
Sim, porque a festa do São João na minha memória (e gosto) é forró. 
Durante praticamente todo o mês de junho se “roubava forró”: um grupo de amigos e até famílias preparava todo o necessário, bebida, comida e até o forró (ao vivo ou de vitrola) e esperava o escolhido para ser roubado se recolher ao sono e aí chegar à porta da frente da casa cantando ♪ “Ô de casa, ô de fora/ Maria vai ver quem é...” ♫, e invadia a casa até a hora que se tivesse disposição para forrozear... 
Em uma festa da escola
Havia também as festas escolares, com quadrilhas em ritmo de arrasta-pé bem ensaiadinhas ao som da sanfona, triângulo e zabumba, com alinhamento perfeito, roupas de chita xadrez, meninos com remendos nas calças e meninas de tamanco de madeira... Na minha escola sempre tinha festa, eu sempre participei, mas jamais dancei quadrilha! Mas recordo de sair ao fim de tarde com os colegas de minha turma da escola e ir para a casa de S. Luís Funga assistir aos ensaios da quadrilha que a filha mais velha dele ensaiava lá na frente; encantador...

Era 1985, quando eu cursei a 5ª série, o Colégio Pedro Falconeri Rios fez seu primeiro Arraiá da Felicidade na praça em frente à Igreja; cercou-se toda a praça com palhas (inconsciência ecológica mesmo), cada turma tinha sua barraca e apresentou uma atração cultural usando o antigo coreto como palco; eu dancei a Dança da Fita! 

Acontecia Forró nos clubes locais, apenas no dia 23.06.... Eu raramente ia...

Em 1988*, aconteceu o primeiro Arraiá feito pela prefeitura e foi realizado sob a cobertura do Mercado Municipal! E lá fui eu: com um grupo de amigos, brincar, rir dos outros e se divertir inclusive invadindo fotografias de casal de namorados; quando a pose estava pronta o grupo corria e se posicionava metade de cada lado! Mentira? Nada! Um feirante me contou outro dia que na casa dele tinha foto minha, (ou melhor, dele e da atual esposa, comigo e meu grupo de amigos) de um São João aqui em Pé de Serra! 
Nesse tempo, eu tinha cabelos compridos e uma saúde que me permitia sair à noite com o cabelo pingando água das pontas... Viva Deus! Mãe me reclamava, eu não dava ouvido...

No ano de 1989*, foi o primeiro Arraiá da Felicidade onde e quase como é até hoje! Na quadra municipal, toda cercada de palha, com barracas “batizadas” por nomes típicos e pitorescos e ainda faixadas temáticas... E tinha além das Bandas, apresentações de quadrilhas seja daqui, da região ou até visitantes... Nessa “leva” de quadrilhas, veio a Furacão! Capítulo a parte na história do São João de Pé de Serra, como também na minha... 
Depois que a Furacão parou suas atividades, uma outra quadrilha e outro tipo de grupo de dança resistiram alguns anos, mas tal atração deixou de ser valorizada pela organização da festa, bem como pela juventude da época, pois todos os grupos que citei eram formados por jovens teimosos que pagavam para se divertir levando arte e entretenimento aos demais;
E desde então o Arraiá da Felicidade só mostra bandas...

Eu até hoje curto muito essa época bem como a festa, seja lá como e com quem for! É um tempo maravilhoso para rever parentes e amigos, conhecer pessoas... Em um São João eu conheci uma jovem que depois escreveu um texto de nome Junina minha fror que apenas o título, época e cenário transitam minha memória e aludem este meu relato...

Bem... Desculpe o tamanho do texto, (se é que de fato está lendo) e vamos brincar o São João cada um com suas memórias e a seu gosto...

VIVA SÃO JOÃO!
J


*que eu me recorde.

2 comentários:

  1. Sensacional, Anita! Compartilho contigo (quase) todas essas memórias. "trançar fitas, é linda, você vai sorrir..." Lembra da música??? Saí de Pé de Serra ainda pequeno. Mas volto sempre que posso. Este ano pretendo estar na roça do meu tio Gabé e relembrar o São João de antigamente. Com fogueira e 'castelo'. Lembra que se cortava uma árvore no mato e se fincava junto da fogueira??? Parabéns pela postagem!!!

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  2. Obrigada, Gildovaldo!
    Lembro muito da música da Dança da Fita... Mãe ainda canta, creia!
    E também lembro da fogueira com 'castelo'... Via daqui da frente de casa as que caiam e eram assaltadas pela galera que ia recolher as prendas!
    Abraço e Viva São João! rs..

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Hum! Vai comentar! Agradecida!